terça-feira, 12 de março de 2024

TOLSTOISMO: OS SEGUIDORES DE LIEV TOLSTOI

 TOLSTOÍSMO

Adaptado da Wikipédia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Tolsto%C3%ADsmo#:~:text=Tolsto%C3%ADsmo%20ou%20tolstoiismo%20%C3%A9%20um,b%C3%ADblica%20O%20Serm%C3%A3o%20da%20Montanha. Acesso em: 10 mar. 2024.

Liev Nikolaievitch Tolstoi


Tolstoísmo ou Tolstoiismo é um movimento social baseado nas visões filosóficas e religiosas do romancista russo Liev Nikolaievitch Tolstoi (1828 – 1910). Os pontos de vista de Tolstoi foram fundamentados por meio de estudos minuciosos do ministério de Jesus, sobretudo na passagem bíblica “O Sermão da Montanha”.



Tolstoi expressou “grande alegria” diante da grande adesão, não só na Rússia, mas em várias partes da Europa, ao seu movimento. No entanto, o autor admitiu que fosse um erro criar uma doutrina específica depois da sua morte. Tolstoi advertia que cada indivíduo deveria seguir sua consciência individual. Ele escreveu uma carta a um adepto, com os seguintes dizeres:

“Usar o ‘Tolstoysmo’ como um guia para perguntar a minha solução para as mais diversas questões é um erro grosseiro. Não houve, nem há ‘ensinamentos’ meus. Existe apenas o único ensinamento universal eterno da Verdade, que para mim, para nós, é claramente expresso nos Evangelhos. Eu aconselhei essa jovem a não viver pela minha consciência, mas por ela própria.”

Credos e Práticas

      Os “tolstoinianos” (na língua Russa Толстовцы , Tolstovtsy) se identificam como cristãos, mas geralmente não pertencem oficialmente a uma igreja. Tolstoi foi um severo crítico da Igreja Ortodoxa Russa, fato que levou a sua excomunhão em 1901. Tolstoinianos tendem a se concentrar em seguir os ensinamentos de Jesus e não se importam com milagres ou divindades. Eles tendem a um modo de vida ascético e simples. Tolstoinianos são considerados pacifistas cristãos e defendiam a não violência em todas as circunstâncias. A compreensão de Tolstoi sobre o que significa ser cristão foi fundamentada pelo Sermão da Montanha e resumida em cinco proposições simples:

          1) Ame seus inimigos;

2) Não seja tomado pela ira;

3) Não lute contra o mal fazendo o mal, mas combata o mal com o bem (uma interpretação de ofereça a outra face);

4) Não deseje;

5) Não faça juramentos.

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Tolstonianos não participam do governo, que consideram imoral, violento e corrupto. Tolstoi rejeitou o Estado e todas as instituições que dele derivam – a polícia, os tribunais e o exército. Assim, muitos os consideram como um anarquista cristão. Historicamente, as ideias de Tolstoi influenciaram o pensamento anarquista.

 

Vegetarianismo

      O movimento vegetariano começou na Europa no século XIX. A primeira sociedade vegetariana foi fundada em Manchester em 1847. Tolstoi tornou-se uma grande influência para o movimento. Ele se tornou vegetariano em 1885. Seu ensaio “The First Step” (“O Primeiro Passo” – 1882) e outros foram promovidos internacionalmente pelas sociedades vegetarianas.



      O vegetarianismo fazia parte da filosofia tolstoniana cristã de não violência. Naquela época, os restaurantes vegetarianos eram poucos, e eles frequentemente serviam como espaços de reunião para os tolstoinianos e outros reformadores sociais. O movimento era, sobretudo, ovolactovegetariano, que consistia em uma dieta composta por alimentos de origem vegetal, ovos, leites e derivados deles, nesta há apenas a exclusão de qualquer tipo de carne na alimentação.

      Do ponto de vista da medicina da época o vegetarianismo era visto como insalubre.

 


Legado

      Ele inspirou muitos seguidores em diversos países que formaram comunidade e publicaram obras dedicadas a promover as ideias de Tolstoi, principalmente no final do século XIX, e início do século XX. 



   Vários indivíduos foram influenciados por Tolstoi, dentre eles o filósofo Wittgenstein, William Jenning Byran e Gandhi. 

 

William Jennings Bryan, advogado e político dos Estados Unidos.
Foi Secretário de Estado dos Estados Unidos da América

Seguidores célebres:

Abraham Yehudah Khein – (1878 – 1957) foi um rabino Chabad-Hasidico na cidade ucraniana de Nizhyn. O rabino Khein era um anarquista pacifista.



Alexandra Tolstaya – (1884 – 1979) condessa Tolstaya era a filha mais nova de Lev Tolstoi sendo secretária do famoso romancista.



Arvid Järnefelt – (1861 – 1932) juiz e escritor finlandês.



Aylmer Maude (1858 – 1938) e Louisie Maude (1855 – 1939) – foram tradutores para o inglês das obras de Lev Tolstoi, e Aylmer Maude também escreveu a biografia de seu amigo Tolstoi, The Life of Tolstoy. Depois de viver muitos anos na Rússia, os Maudes passaram o resto de suas vidas na Inglaterra, traduzindo os escritos de Tolstoi e promovendo o interesse público em seu trabalho. Aylmer Maude também esteve envolvido em várias causas progressistas e idealistas do início do século XX.



Boris Pasternak – (1890 – 1960) poeta e romancista russo, ele escreveu Doutor Jivago, com o qual recebeu o Nobel de Literatura em 1958.



Dmitry Khilkov – (1858 – 1914) O príncipe Dmitry Aleksandrovich Khilkoff (mais frequentemente escrito como Khilkov, às vezes também Hilkov ou Hilkoff) (1858–1914) passou de oficial do Exército do Czar a um tolstoiano pregando o pacifismo e a um revolucionário socialista. O príncipe Dmitry Khilkov era um discípulo aristocrático de Lev Tolstoi que foi exilado pelo governo e teve seus filhos tirados dele por seguirem os ensinamentos de Tolstoi. Como Tolstoi, Khilkov envolveu-se com a emigração dos Doukhobors cristãos espirituais da Rússia para o Canadá e fez parte de uma delegação exploratória de assentamentos em 1898 para o Canadá.



Dorothy Day – (1897 – 1980) jornalista estadunidense, ativista social, anarquista, que posteriormente se converteu ao catolicismo. Na década de 1930, ela trabalhou junto com seu companheiro, o ativista Peter Maurin, para estabelecer um Movimento Operário Católico, um movimento não violento e pacifista que continuasse a combinar ajuda direta aos pobres e desabrigados com ações diretas não violentas em seu favor.



Emil Cedercreutz – (1879 – 1949) foi um barão finlandês, escultor e artista de silhuetas mais conhecido por suas esculturas de cavalos.



Ernest Howard Crosby – (1856 – 1907) foi um escritor e reformista americano, nascido em Nova Iorque, depois de ter visitado Tolstoi tornou-se divulgador das suas teorias nos EUA, escrevendo alguns livros sobre o escritor russo. Seu livro ‘Plain in Psalm and Parable’ (1899), foi amplamente elogiado.



Georg Boldt – (1851 – 1916) foi um empresário e hoteleiro teuto-americano que influenciou o desenvolvimento do hotel urbano como centro social e destino de luxo. Seu lema era “o cliente tem sempre razão”, tendo tornado-se por conta própria um milionário de sucesso.



Georgy Gapon – (1870 – 1906) foi um padre ortodoxo russo e um líder popular da classe trabalhadora antes da Revolução Russa de 1905. Depois que foi descoberto como informante da polícia, Gapon foi assassinado por membros do Partido Socialista Revolucionário. Padre Gapon é principalmente lembrado como um agente provocador que liderou uma multidão pacífica de manifestantes no Domingo Sangrento, apenas para ser recebido por esquadrões de fuzilamento do Exército Imperial Russo. As ações de Gapon inadvertidamente alimentaram o movimento revolucionário, embora ele posteriormente tenha fugido do país e enfrentado críticas de várias partes por seu papel.



Harold Whitmore Williams – (1876 – 1928) foi um jornalista neozelandês, editor estrangeiro do “The Times” e poliglota considerado um dos poliglotas mais talentosos da História. Ele conhecia mais de 58 idiomas, incluindo naturalmente seu inglês nativo. Ele "provou conhecer todas as línguas do Império Austríaco", húngaro, tcheco, albanês, sérvio, romeno, sueco, basco, turco, mandarim, japonês, tagalo, copta, egípcio, hitita, irlandês antigo e outros dialetos.



James Luther Bevel – (1936 – 2008) foi um ministro americano e líder do Movimento dos Direitos Civis dos anos 1960 nos Estados Unidos. Como membro da Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC), e depois como seu Diretor de Ação Direta e Educação Não-Violenta, Bevel iniciou, traçou estratégias e desenvolveu os três maiores sucessos da época do SCLC: a Cruzada Infantil de Birmingham em 1963, a votação em Selma em 1965, movimento pelos direitos humanos e o movimento de habitação aberta de Chicago em 1966. Ele sugeriu que o SCLC convocasse e se juntasse a uma marcha em Washington em 1963. Bevel traçou uma estratégia para as marchas de Selma a Montgomery em 1965, que contribuíram para a aprovação pelo Congresso da Lei de Direitos de Voto de 1965.



Johan Carl Emil (Jean) Boldt – (1865 – 1920) foi um advogado e jornalista finlandês, conhecido como teosofista e anarquista.



Kenjirō Tokutomi — (1868 — 1927), também conhecido pelo pseudônimo de Tokutomi Roka , foi um escritor e filósofo cristão japonês das eras Meiji e Taishō.



Leonid Osipovich Pasternak – nascido Yitzhok-Leib, ou Isaak Iosifovich, Pasternak —  (1862  — 1945) foi um pintor russo pós-impressionista. Ele era o pai do poeta e romancista Boris Pasternak.





Leopold Antonovich Sulerzhitsky – (1872 – 1916) foi um diretor de teatro, pintor e pedagogo russo de ascendência polonesa. Ele está associado ao Teatro de Arte de Moscou e à família de Lev Tolstoy.



Mahatma Gandhi – Mohandas Karamchand Gandhi – (1869 – 1948) foi um advogado, nacionalista, anticolonialista e especialista em ética política indiana, que empregou resistência não violenta para liderar a campanha bem-sucedida para a independência da Índia do Reino Unido, e por sua vez, inspirar movimentos pelos direitos civis e liberdade em todo o mundo. O honorífico Mahātmā (sânscrito: "de grande alma", "venerável"), aplicado a ele pela primeira vez em 1914 na África do Sul, é agora usado em todo o mundo. O aniversário de Gandhi, 2 de outubro, é comemorado na Índia como Gandhi Jayanti, um feriado nacional e em todo o mundo como o Dia Internacional da Não Violência. Gandhi é comumente, embora não formalmente considerado o Pai da Pátria indiana.



Saneatsu Mushanokōji – (1885 – 1976) foi um romancista, dramaturgo, poeta, artista e filósofo japonês ativo durante o final dos períodos Taishō e Shōwa do Japão.



Sergei Lvovich Tolstoi – (1863 – 1947) foi um compositor e etnomusicólogo que esteve entre os primeiros europeus a fazer um estudo aprofundado da música da Índia. Ele também foi associado do místico sufi Inayat Khan e participou ajudando os Doukhobors a se mudarem para o Canadá. Ele era o filho mais velho de Lev Tolstoi.



Takeo Arishima – (1878 – 1923) foi um romancista, contista e ensaísta japonês durante o final dos períodos Meiji e Taishō. Seus dois irmãos mais novos, Ikuma Arishima e Ton Satomi, também eram autores. Seu filho era o ator de cinema e teatro internacionalmente conhecido, Masayuki Mori.



Valentin Fyodorovich Bulgakov – (1886 – 1966) foi o último secretário de Lev Tolstoi e, também, seu biógrafo. Ele atuou como diretor de vários museus literários e participou ativamente de iniciativas tolstoianas e pacifistas. Suportou prisão sob o regime czarista e internamento num campo nazista. Nos últimos 20 anos de sua vida, ele assumiu o papel de chefe do museu Yasnaya Polyana.



Vladimir Grigoryevich Chertkov – (1854 – 1936) foi o editor das obras de Lev Tolstoi e um dos tolstoianos mais proeminentes. Após as revoluções de 1917, Chertkov foi fundamental na criação do Conselho Unido de Comunidades e Grupos Religiosos, que acabou administrando o programa de objeção de consciência da RSFS russa.



Ludwig Joseph Johann Wittgenstein — (nasceu em Viena, 26 de Abril de 1889 e faleceu em Cambridge, 29 de Abril de 1951) foi um filósofo austríaco, naturalizado britânico. Foi um dos principais autores da virada linguística na filosofia do século XX. Suas principais contribuições foram feitas nos campos da lógica, filosofia da linguagem, filosofia da matemática, e filosofia da mente. Muitas das chances do filósofo mais importante do século passado.



 

sábado, 30 de julho de 2022

O NOME DA ROSA


O Nome da Rosa de Umberto Eco: Análise da Obra

O Nome da Rosa é um livro de 1980 escrito pelo italiano Umberto Eco. Em 1986 foi lançado o filme homônimo dirigido pelo francês Jean-Jacques Annaud.

A narrativa se passa na Itália no período medieval. O cenário é um mosteiro beneditino, onde um frei é chamado para fazer parte de um concílio do clero que investiga crimes de heresia. Entretanto, assassinatos misteriosos começam a ocorrer.

Essa história se tornou um clássico, mesclando romance investigativo com inspiração em Sherlock Holmes, religião, erotismo, violência e um toque de humor em plena Idade Média. A obra alcançou enorme reconhecimento e projetou Umberto Eco como um célebre escritor.

A Chegada dos Franciscanos ao Mosteiro

Quando o monge franciscano Guilherme de Baskerville (Sean Connery) chega a um monastério beneditino no norte da Itália, em 1327, ele não imaginava o que iria viver nos próximos dias.

Acompanha Guilherme o noviço Adso de Melk (Christian Slater), um jovem vindo de uma família da elite que está sob sua tutoria.

O narrador da história é o velho Adso, que relembra os acontecimentos em sua juventude. Aqui já é possível perceber o contraste entre a juventude e a velhice, ao colocar a mesma personagem em dois momentos da vida diferentes.

Os dois chegam a cavalo ao enorme mosteiro e são levados a um aposento em que da janela é possível ver um pequeno cemitério. Guilherme observa um urubu rondando uma cova recém coberta e fica sabendo que um jovem pároco havia falecido há pouco tempo em circunstâncias duvidosas.

A investigação

A partir de então, mestre e aprendiz iniciam uma investigação sobre o caso, que é visto como obra do demônio pelos demais religiosos.

Com o passar do tempo, outras mortes ocorrem e Guilherme e Adso buscam relacioná-las e entender o mistério que ronda a instituição religiosa.

Assim, eles descobrem que a existência de uma biblioteca secreta estava interligada aos acontecimentos mórbidos do lugar. Tal biblioteca guardava livros e escrituras considerados perigosos para a Igreja Católica.


Isso porque tais registros continham ensinamentos e reflexões da antiguidade clássica que colocavam em cheque os dogmas católicos e a fé cristã.

Uma das crenças difundidas pelos poderosos do alto clero era a de que o riso, a diversão e a comédia desvirtuavam a sociedade, tirando o foco da espiritualidade e o temor a Deus. Assim, não era recomendado que os religiosos rissem.

Um dos livros proibidos que se encontrava na biblioteca era uma suposta obra do pensador grego Aristóteles que versava justamente sobre o riso (Comédia).

Guilherme e Adso conseguem, através do pensamento racional e investigativo, chegar até a biblioteca, um local que continha um enorme número de obras. A construção de tal lugar era bastante complexa, o que a transformava em um verdadeiro labirinto.

Os abusos da Igreja e a paixão de Adso

A trama conta também com cenas que denunciam os abusos da Igreja cometidos contra os camponeses. Eles costumavam fazer doações de comida ao povo pobre em troca de exploração sexual.

Em dado momento, Adso depara-se com uma jovem mulher (a única que aparece no enredo), e os dois envolvem-se sexualmente, em uma cena cheia de erotismo e culpa. Adso passa a desenvolver sentimentos amorosos pela camponesa.


A Inquisição

Eis que chega ao monastério um antigo desafeto de Guilherme, Bernardo Gui, um poderoso frei que é um dos braços da Santa Inquisição. Ele vai até lá para apurar denúncias de atos hereges e bruxarias.

Bernardo se coloca então como um obstáculo para que Baskerville e Adso concluam suas investigações, que já estão causando problemas entre a alta cúpula.

Alguns acontecimentos ocorrem envolvendo dois frades e a camponesa por quem Adso é apaixonado. Os três são indiciados como hereges, sendo que a moça é vista como bruxa.

Um tribunal é realizado com a intenção de que eles confessem os assassinatos e sejam posteriormente queimados na fogueira.

No momento em que os réus são colocados na fogueira e a maioria das pessoas acompanhava o desenrolar dos fatos, Guilherme e Adso vão até a biblioteca para resgatar algumas obras.

O desenrolar dos fatos

Lá eles se deparam com Jorge de Burgos, um dos párocos mais idosos do mosteiro, que mesmo cego e decrépito era o verdadeiro "guardião" da biblioteca. Guilherme então se dá conta de que todas as mortes tinham como responsável o velho Jorge.

Em um momento de confusão, inicia-se um grande incêndio na biblioteca, onde Jorge de Burgos acaba morrendo e Adso e seu mestre saem com vida carregando alguns livros.

Por conta do incêndio no mosteiro, as atenções são desviadas do julgamento e das fogueiras, assim, a camponesa consegue escapar.

Adso e Guilherme saem do local e seguem rumos distintos na vida, nunca mais se encontrando. Resta a Adso os óculos de seu mestre e a lembrança da paixão pela camponesa, que ele nunca soube o nome.


Significado de O nome da rosa

Uma das grandes curiosidades acerca da obra está relacionada com a escolha do título. O nome da rosa parece ter sido escolhido a fim de deixar que o próprio leitor desse uma interpretação.

Além disso, a expressão "o nome da rosa" era na época medieval uma maneira simbólica de expressar o enorme poder das palavras.

Sendo assim, a biblioteca e as obras proibidas pela Igreja teriam total relação com o nome dessa grande obra da literatura.

Análise e curiosidades sobre a obra

A história se passa em um momento crucial da humanidade quando se dá a transição do pensamento medieval para o raciocínio renascentista.

Assim, Guilherme de Baskerville representa o humanismo, o pensamento lógico, as novas ideias, a valorização da ciência e do ser humano. Ao passo que os outros religiosos simbolizam o pensamento atrasado e místico que envolveu toda a Europa durante o período medieval.

Podemos comparar também frei Guilherme com a personagem de Sherlok Holmes, um astuto detetive inglês, criado pelo escritor Sir Arthur Conan Doyle. Aliás, um dos casos de investigação mais conhecidos de Sherlock leva o nome de O Cão dos Baskervilles.

O narrador, o noviço Adso de Melk, serve como um fio condutor, dirigindo o leitor ao entendimento das situações e fazendo também um paralelo com Watson, o fiel escudeiro de Sherlock Holmes.

Já o velho Jorge de Burgos teve como inspiração Jorge Luis Borges, escritor argentino que ficou cego no fim da vida e foi autor de várias obras que se passam em bibliotecas. O monge Jorge de Burgos é descrito por Humberto Eco como “a própria memória da biblioteca”.

O enredo nos conta sobre uma série de assassinatos e como eles ocorreram, entretanto, o principal objetivo da história é nos mostrar os meandros e pensamentos da corporação religiosa na Baixa idade Média em contraste com as novas concepções humanistas que surgiam. Dessa forma, o que temos é uma narrativa que serve como uma crônica da vida clerical.

São tratados ainda muitos temas filosóficos e um que ganha destaque é a discussão sobre o valor da diversão e do riso. Dessa forma, o escritor nos presenteia com uma obra que defende a leveza, o bom humor e a livre expressão de todos os seres humanos.

Adaptação cinematográfica

A adaptação do livro, transformado em filme seis anos depois de sua publicação, deu maior visibilidade à narrativa. Apesar de a história apresentada ser mais resumida, o filme é fiel ao livro e tem o poder de nos transportar também ao passado medieval.

A produção do longa-metragem demorou cinco anos para ser concluída e contou com apenas uma mulher no elenco, a única personagem feminina. As filmagens foram feitas na Itália e Alemanha e o filme teve uma bilheteria de 77 milhões. Em 1987, ganhou o prêmio César de melhor filme estrangeiro e, no ano seguinte, o prêmio Bafta, de melhor ator para Sean Connery.

Ficha técnica

Título

O nome da rosa

Ano de lançamento

1986

Direção e adaptação

Jean-Jacques Annaud, adaptação de livro de Umberto Eco

Gênero

suspense, investigação, drama

Duração

130 minutos

País de origem

França

Elenco

Sean Connery, Christian Slater, Elya Baskin, Valentina Vargas, Michael Lonsdale

 

Quem foi Umberto Eco?

Umberto Eco foi um escritor italiano nascido em 05 de Janeiro de 1932.

Formado em filosofia e literatura pela Universidade de Turim, mais tarde torna-se professor dessa instituição. Dedicou-se intensamente à pesquisa da semiótica, que rendeu o livro intitulado Obra aberta (1962).

Foi um grande estudioso do período medieval e de São Tomas de Aquino, lançando em 1964 o livro Apocalípticos e Integrados.

Em 1980 publica O Nome da Rosa, que o consagra. Outros livros importantes do autor são: O Sinal (1973), Tratado Geral de Semiótica (1975), O Pêndulo de Foucault (1988), O Cemitério de Praga (2010) e O Número Zero (2015). 


Fonte: AIDAR, Laura. Site Cultura Geral. Disponível em: https://www.culturagenial.com/o-nome-da-rosa/. Acesso em 30 de jul. 2022. 



YOUTUBE– filme dublado completo

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