Bandeirantes, Missionários Jesuítas e monçoeiros, muitas vezes se utilizavam de um curioso método para atravessar um rio: A Bolota.
Na falta de imagens da mesma na internet, reproduzi junto a Inteligência Artificial a travessia por uma Bolota, que aqui está sendo descrita por um Jesuíta:
A descrição deixada pelo Pe. Cardiael foi redigida
em 1772, quando esse missionário já andava na Europa, e diz o seguinte: “Los
rios no tienen puentes: y algunos son muy caudalosos. Para passarlos se llevan,
prevenidos cueros de toro. Se hace uma pelota, o um quadrado de um cuero de
éstos. Se levantam alrededor las orillas com uma tercia, y se afianza con um
cordel, para que estén tiesas. Metese el hombre y las cargas dentro, a la
orilla del rio; y otro nadando va tirando de um cordel la débil barca hasta la otra
orilla, o va desnudo encima de um caballo nadador. Sufre cada cuero de estos
doce o catorce arrobas: y passa y vuelve á pasar hasta más de uma hora, sin que
se ablance. Asi camiñan los Jesuitas y toda gente de alguna distinción. Los indios
y gente baja pasan los rios nadando al lado o encima de sus caballos, y sus
alforjitas em la cabeza”, Relación verídica de las Misiones de la Comp.ª de Ihs
en la Provincia, que fué del Paraguay, y solución de algunas dudas sobre las
mismas. Obra del P.N.N. (P. José Cardiel, S.I.) Misionero de las dichas
Misiones escrita a instancias del P.N.N. Misionero apostólico em la Prov.ª que
fué de Castilla, Faenza, anno 1772. Ms. da Biblioteca Nacional do Rio de
Janeiro. Col. Benedito Otttoni, I-5, I, 52. (Sérgio Buarque de Holanda, Monções, 1989, p.25-26 - nota 13).
Tradução Livre: Os rios não têm pontes e alguns são muito caudalosos. Para atravessá-los, usam peles de boi preparadas. Fazem uma bola ou um quadrado com uma dessas peles. Levantam margens ao redor, com cerca de um terço de jarda de altura, e as prendem com uma corda para que fiquem rígidas. O homem e sua carga entram na água, na margem do rio; e outro nada e puxa o frágil barco com uma corda até a outra margem, ou atravessa nu em cima de um cavalo nadando. Cada uma dessas peles pode suportar doze ou quatorze arrobas (aproximadamente 70 quilos): e pode atravessar várias vezes por mais de uma hora sem se molhar. É assim que os jesuítas e todas as pessoas de certa posição social viajam. Os índios e o povo comum atravessam os rios nadando ao lado ou em cima de seus cavalos, com as alforjas na cabeça.

