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Dostoiévski, foto de Constantin Shapiro, 1879 |
“(...)
tomai sobre vossos ombros os pecados humanos, e tornai-vos responsáveis
por eles.” |
Fiódor
Mikhailovitch Dostoiévski (em russo: Фёдор Миха́йлович Достое́вский) nascido em Moscou em 11 de novembro de 1821 – falecido em São
Petersburgo em 9 de fevereiro de 1881, foi um escritor, filósofo e jornalista
russo. É considerado por muitos um dos maiores romancistas e pensadores da
história, bem como um dos maiores “psicólogos” que já existiu, ao considerar a
designação e etimologia mais ampla do termo, como investigador da psique.
Ao terminar a sua formação acadêmica, como engenheiro,
Dostoiévski decidiu trabalhar em tempo integral como escritor, escrevendo
romances, novelas, contos, memórias, notas, escritos jornalísticos e escritos
críticos. Além disso, atuou como editor de revistas próprias e participou em
algumas atividades políticas. Suas obras mais importantes foram as literárias,
nas quais abordou, entre outros temas, o significado do sofrimento e da culpa,
o livre-arbítrio, o cristianismo, o racionalismo, o niilismo, a pobreza, a
violência, o assassinato, o altruísmo, além de analisar transtornos mentais,
muitas vezes ligados à humilhação, ao isolamento, ao sadismo, ao masoquismo e ao
suicídio. Pela retração filosófica e psicológica profunda e atemporal dessas
questões, seus escritos são comumente chamados de romances filosóficos e
romances psicológicos.
Dostoiévski logrou atingir certo sucesso já com seu primeiro
romance, Gente Pobre, o qual foi imediatamente elogiado e protegido pelo
mais importante crítico literário russo da primeira metade do século XIX,
Vissarion Belinski [i]. Já seu segundo romance O
Duplo – obra hoje muito famosa, tendo sido reinterpretada literária e
cinematograficamente –, recebeu críticas muito negativas, inclusive do seu
antigo protetor, críticas que acabaram por destruir o reconhecimento que
Dostoiévski começava a adquirir como escritor. Apenas após seu retorno da
prisão na Sibéria – Dostoiévski foi preso por contra o Czar –, repetiria o
escritor seu sucesso inicial com a semibiográfica obra Recordações da Casa
dos Mortos, a qual trata dos anos que passou na prisão. Mais tarde sua fama
aumentaria drasticamente graças a obras como Crime e Castigo, O
Idiota e Os Demônios. Foi, entretanto, já próximo da morte que
Dostoiévski consolidou-se um dos maiores escritores de todos os tempos com sua
obra-prima Os Irmãos Karamazov.
A influência de Dostoiévski é ímpar: ele influenciou diretamente
a Literatura, a Filosofia, a Psicologia e a Teologia. Sob sua influência direta
foram produzidas várias obras literárias e cinematográficas. Foi também
reconhecido como precursor dos seguintes movimentos: nietzscheanismo,
psicanálise, expressionismo, surrealismo, teologia da crise e existencialismo.
O reconhecimento popular também é imenso: é mundialmente conhecido, possui
diversas estátuas, selos e moedas em sua homenagem e até hoje celebra-se em São
Petersburgo o “Dia Dostoiévski”.
[i]
Vissarión Grigórievitch Belínski (em russo: Виссарио́н
Григо́рьевич Бели́нский) nascido em Sveaborg, em 30 de
maio de 1811 e falecido em São Petersburgo, em 26 de maio de 1848, que
corresponde a 7 de junho no calendário gregoriano) foi um ensaísta, escritor,
crítico literário e filósofo russo. Filho de um médico militar no Exército Russo
de guarnição no território finlandês. Fez os estudos secundários em Penza e
ingressou, em 1829, na Universidade de Moscou. Foi expulso três anos depois,
por ter escrito Dmitri Kalinin, uma peça de teatro que atacava a
instituição da servidão. Começou então a trabalhar como jornalista, escrevendo
artigos críticos para os jornais mais proeminentes da época. Tendo adoecido
gravemente com tuberculose, passou uma temporada em convalescença, no Cáucaso
e, de regresso a Moscou, tornou-se editor do Moskovski Nabliudatel (Observador
de Moscou), entre 1838 e 1839. Mudou-se depois para São
Petersburgo, publicando em 1841 um ensaio em que exprimia as suas ideias sobre
a arte, utilitária no seu modo de ver e potencial reformadora da sociedade.
Juntou-se a uma tertúlia (palestra literária; apresentação de
um conteúdo literário para discussão ou debate, pequeno grupo composto por
escritores que se reúnem para conversarem ou lerem)
de escritores progressistas, que incluía nomes com Ivan Turgueniev e Ivan
Gontcharov. Entre 1843 e 1846 publicou onze ensaios sobre Puchkin, louvando o
seu poema Evgueni Onegin como uma verdadeira “enciclopédia da vida
russa”. Procurando adivinhar na obra de Nicolai Gogol um ataque aos valores
conservadores, desiludiu-se ao confirmar que este recusava o modernismo.
Escreveu, pois, uma carta aberta a Gogol, que foi censurada pelas autoridades,
acabando, no entanto, por ter grande circulação a nível privado, e tornando-se
num verdadeiro manifesto dos liberais russos. Continuando a sofrer de tuberculose,
Belínski partiu para Berlim em maio de 1847, regressando a São Petersburgo em
novembro do mesmo ano. Escreveu ainda durante algum tempo para o Sovremennik (Contemporâneo),
vindo a falecer da doença a 7 de junho de 1848, no calendário gregoriano. Embora
tivesse profetizado a vinda da grande era da literatura russa, não sobreviveu
para presenciar o grande triunfo das obras de Fiódor Dostoiévski, Liev Tostói e
Ivan Turgueniev. Sendo sepultado no Cemitério de Volkovo, em São Petersburgo.
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Vissarión Grigórievitch
Belínski por Kiril Gorbunov – 1843. |



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