quarta-feira, 20 de maio de 2026

FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

 




Dostoiévski, foto de Constantin Shapiro, 1879

 

 

 



“(...) tomai sobre vossos ombros os pecados humanos, e tornai-vos responsáveis por eles.”

 

 

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (em russo: Фёдор Миха́йлович Достое́вский) nascido em Moscou em 11 de novembro de 1821 – falecido em São Petersburgo em 9 de fevereiro de 1881, foi um escritor, filósofo e jornalista russo. É considerado por muitos um dos maiores romancistas e pensadores da história, bem como um dos maiores “psicólogos” que já existiu, ao considerar a designação e etimologia mais ampla do termo, como investigador da psique.

Ao terminar a sua formação acadêmica, como engenheiro, Dostoiévski decidiu trabalhar em tempo integral como escritor, escrevendo romances, novelas, contos, memórias, notas, escritos jornalísticos e escritos críticos. Além disso, atuou como editor de revistas próprias e participou em algumas atividades políticas. Suas obras mais importantes foram as literárias, nas quais abordou, entre outros temas, o significado do sofrimento e da culpa, o livre-arbítrio, o cristianismo, o racionalismo, o niilismo, a pobreza, a violência, o assassinato, o altruísmo, além de analisar transtornos mentais, muitas vezes ligados à humilhação, ao isolamento, ao sadismo, ao masoquismo e ao suicídio. Pela retração filosófica e psicológica profunda e atemporal dessas questões, seus escritos são comumente chamados de romances filosóficos e romances psicológicos.

Dostoiévski logrou atingir certo sucesso já com seu primeiro romance, Gente Pobre, o qual foi imediatamente elogiado e protegido pelo mais importante crítico literário russo da primeira metade do século XIX, Vissarion Belinski [i]. Já seu segundo romance O Duplo – obra hoje muito famosa, tendo sido reinterpretada literária e cinematograficamente –, recebeu críticas muito negativas, inclusive do seu antigo protetor, críticas que acabaram por destruir o reconhecimento que Dostoiévski começava a adquirir como escritor. Apenas após seu retorno da prisão na Sibéria – Dostoiévski foi preso por contra o Czar –, repetiria o escritor seu sucesso inicial com a semibiográfica obra Recordações da Casa dos Mortos, a qual trata dos anos que passou na prisão. Mais tarde sua fama aumentaria drasticamente graças a obras como Crime e Castigo, O Idiota e Os Demônios. Foi, entretanto, já próximo da morte que Dostoiévski consolidou-se um dos maiores escritores de todos os tempos com sua obra-prima Os Irmãos Karamazov.

A influência de Dostoiévski é ímpar: ele influenciou diretamente a Literatura, a Filosofia, a Psicologia e a Teologia. Sob sua influência direta foram produzidas várias obras literárias e cinematográficas. Foi também reconhecido como precursor dos seguintes movimentos: nietzscheanismo, psicanálise, expressionismo, surrealismo, teologia da crise e existencialismo. O reconhecimento popular também é imenso: é mundialmente conhecido, possui diversas estátuas, selos e moedas em sua homenagem e até hoje celebra-se em São Petersburgo o “Dia Dostoiévski”.





[i] Vissarión Grigórievitch Belínski (em russo: Виссарио́н Григо́рьевич Бели́нский) nascido em Sveaborg, em 30 de maio de 1811 e falecido em São Petersburgo, em 26 de maio de 1848, que corresponde a 7 de junho no calendário gregoriano) foi um ensaísta, escritor, crítico literário e filósofo russo. Filho de um médico militar no Exército Russo de guarnição no território finlandês. Fez os estudos secundários em Penza e ingressou, em 1829, na Universidade de Moscou. Foi expulso três anos depois, por ter escrito Dmitri Kalinin, uma peça de teatro que atacava a instituição da servidão. Começou então a trabalhar como jornalista, escrevendo artigos críticos para os jornais mais proeminentes da época. Tendo adoecido gravemente com tuberculose, passou uma temporada em convalescença, no Cáucaso e, de regresso a Moscou, tornou-se editor do Moskovski Nabliudatel (Observador de Moscou), entre 1838 e 1839. Mudou-se depois para São Petersburgo, publicando em 1841 um ensaio em que exprimia as suas ideias sobre a arte, utilitária no seu modo de ver e potencial reformadora da sociedade. Juntou-se a uma tertúlia (palestra literária; apresentação de um conteúdo literário para discussão ou debate, pequeno grupo composto por escritores que se reúnem para conversarem ou lerem) de escritores progressistas, que incluía nomes com Ivan Turgueniev e Ivan Gontcharov. Entre 1843 e 1846 publicou onze ensaios sobre Puchkin, louvando o seu poema Evgueni Onegin como uma verdadeira “enciclopédia da vida russa”. Procurando adivinhar na obra de Nicolai Gogol um ataque aos valores conservadores, desiludiu-se ao confirmar que este recusava o modernismo. Escreveu, pois, uma carta aberta a Gogol, que foi censurada pelas autoridades, acabando, no entanto, por ter grande circulação a nível privado, e tornando-se num verdadeiro manifesto dos liberais russos. Continuando a sofrer de tuberculose, Belínski partiu para Berlim em maio de 1847, regressando a São Petersburgo em novembro do mesmo ano. Escreveu ainda durante algum tempo para o Sovremennik (Contemporâneo), vindo a falecer da doença a 7 de junho de 1848, no calendário gregoriano. Embora tivesse profetizado a vinda da grande era da literatura russa, não sobreviveu para presenciar o grande triunfo das obras de Fiódor Dostoiévski, Liev Tostói e Ivan Turgueniev. Sendo sepultado no Cemitério de Volkovo, em São Petersburgo.



 

 

 

Vissarión Grigórievitch Belínski por Kiril Gorbunov – 1843.

 

 

 

 


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