De acordo com a narrativa convencional, o Buddha nasceu em Lumbini (hoje, patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) por volta do ano 566 a.C. e cresceu em Capilvasto: ambos, atuais localidades nepalesas.
O rei Suddhodana estava determinado a ver o seu filho se tornar um rei, e assim, impediu que ele saísse do palácio. Mas, aos 29 anos, apesar dos esforços do pai, Sidarta se aventurou por além do palácio diversas vezes. Em uma série de encontros (em locais conhecidos pela cultura budista como “quatro pontos”), ele soube do sofrimento das pessoas comuns, encontrando um homem velho, um outro doente, um cadáver e, finalmente, um asceta sadhu [i], representando a busca espiritual. Essas experiências levaram Gautama, finalmente, a abandonar a vida material e ir em busca de uma vida espiritual.
Sidarta Gautama estudou sob diferentes mestres e desencantou-se com o resultado alcançado pelo que ensinavam. Chegou a praticar ascese [ii] rígida, como jejum prolongado, restrição da respiração, e outras formas de exposição a dor, muito comuns naquele tempo na Índia, e quase morreu ao longo do processo. Mas houve um episódio no qual uma jovem lhe ofereceu comida e ele aceitou: isso marcou sua renúncia a tais práticas. Concluiu que as práticas ascéticas extremas não traziam os resultados que buscava. Deduziu, então, que as práticas eram prejudiciais aos praticantes. Ele abandonou o ascetismo, concentrando-se na meditação anapanasati [iii]. Através da qual descobriu o que hoje os budistas chamam de “caminho do meio”: um caminho que não passa pela luxúria e pelos prazeres sensuais, mas que também não passa pelas práticas de mortificação do corpo. Em outras palavras, o caminho do meio não seria o caminho do apego a qualquer coisa, e sim uma terceira via.
Quando tinha 35 anos de idade, Sidarta sentou-se embaixo de uma figueira-dos-pagodes (Ficus religiosa) hoje conhecida com árvore de Bodhi, localizada em Bodh Gaya, na Índia, e prometeu não sair dali até conseguir atingir a iluminação espiritual.
[i]
Sadhu, no hinduísmo, é um termo comum para designar um místico, um asceta, um
praticante de ioga ou um monge andarilho. “Sadhu” é, também, uma expressão em
sânscrito e páli usada como interjeição para algo bem-sucedido ou realizado com
perfeição. Etimologia: A tradução para sädhu é “bom homem” e, para sädhvi, é
“boa mulher”. Se refere a quem tem a escolha de viver a vida em sociedades com
o foco na prática espiritual. A origem da palavra vem de sädh, que significa
“alcançar objetivos”. A mesma origem é usada na palavra sädhana, que significa
“prática espiritual”. Rituais: Sadhus são sanyasi, ou renunciantes, que deixam
todos os seus bens materiais e que moram nas cavernas, florestas e templos da
Índia e do Nepal. O sadhu é referido como Baba pelas pessoas comuns. A palavra
baba também significa pai, avô, ou tio em muitas línguas indianas.
[iii] Anapanasati (Ānāpānasati): āna = inalação, inspiração (na respiração), apāna = expiração (na respiração), também prana descendente; sati (páli, budismo) = atenção plena, alerta. Anapanasati é a atenção ou consciência plena da inspiração e da expiração, atribuída a Buddha, que pode ter a redescoberto, desenvolvido, utilizado e ensinado como método de autoconhecimento. A essência de anapanasati é, em estado relaxado para meditação, simplesmente colocar a consciência na inspiração e expiração e no ar que se respira, sendo consciente do alento que entra e sai. Essa consciência pode se dar tanto a partir do seu próprio centro, ser, como do coração ou da mente. Anapanasati é uma das formas-mães, raízes ou primordiais de meditação, da qual descendem muitas outras. Uma forma sua aparece também no Bhagavad Gita e em meditações como Mantra Hamsa ou a Hong-So do Kriya Yoga, aonde encontram-se exemplos de sua prática. Esta técnica também pode ser importante em outras meditações como Atma-Vichara. (Site Chela. Disponível em: https://chela.com.br/meditacao/anapanasati/. Acesso em 14 abr. 2026).








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