domingo, 3 de maio de 2026

A VIDA DE BUDDHA (SIDARTA GAUTAMA)

 


    De acordo com a narrativa convencional, o Buddha nasceu em Lumbini (hoje, patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) por volta do ano 566 a.C. e cresceu em Capilvasto: ambos, atuais localidades nepalesas.


 Logo após o nascimento de Sidarta, um astrólogo visitou o pai do jovem príncipe, Suddhodana, e profetizou que Sidarta ou iria se tornar um grande rei, ou renunciaria ao mundo material para se tornar um homem santo se, porventura, visse a vida fora das paredes do palácio.

O rei Suddhodana estava determinado a ver o seu filho se tornar um rei, e assim, impediu que ele saísse do palácio. Mas, aos 29 anos, apesar dos esforços do pai, Sidarta se aventurou por além do palácio diversas vezes. Em uma série de encontros (em locais conhecidos pela cultura budista como “quatro pontos”), ele soube do sofrimento das pessoas comuns, encontrando um homem velho, um outro doente, um cadáver e, finalmente, um asceta sadhu [i], representando a busca espiritual. Essas experiências levaram Gautama, finalmente, a abandonar a vida material e ir em busca de uma vida espiritual.



Sidarta Gautama estudou sob diferentes mestres e desencantou-se com o resultado alcançado pelo que ensinavam. Chegou a praticar ascese [ii] rígida, como jejum prolongado, restrição da respiração, e outras formas de exposição a dor, muito comuns naquele tempo na Índia, e quase morreu ao longo do processo. Mas houve um episódio no qual uma jovem lhe ofereceu comida e ele aceitou: isso marcou sua renúncia a tais práticas. Concluiu que as práticas ascéticas extremas não traziam os resultados que buscava. Deduziu, então, que as práticas eram prejudiciais aos praticantes. Ele abandonou o ascetismo, concentrando-se na meditação anapanasati [iii]. Através da qual descobriu o que hoje os budistas chamam de “caminho do meio”: um caminho que não passa pela luxúria e pelos prazeres sensuais, mas que também não passa pelas práticas de mortificação do corpo. Em outras palavras, o caminho do meio não seria o caminho do apego a qualquer coisa, e sim uma terceira via.


     Quando tinha 35 anos de idade, Sidarta sentou-se embaixo de uma figueira-dos-pagodes (Ficus religiosa) hoje conhecida com árvore de Bodhi, localizada em Bodh Gaya, na Índia, e prometeu não sair dali até conseguir atingir a iluminação espiritual.


A lenda diz que Sidarta conheceu a dúvida sobre o sucesso de seus objetivos ao ser confrontado por um demônio chamado Mara, que simboliza o mundo das aparências, a tentação, comparado ao papel de Satanás no cristianismo, e muitas vezes representado por uma cobra naja. Mara teria oferecido todos os tipos de prazeres e tentações a Sidarta, que, implacavelmente, repeliu Mara. Vencido Mara, Sidarta acordou para a Verdade, a Verdade da origem, da cessação e do caminho que levava ao fim do sofrimento, e se iluminou. Assim, por volta dos quarenta anos, Sidarta se transformou em Buddha, o iluminado.

Logo, atraiu um grupo de seguidores e instituiu uma ordem monástica. A partir de então, passou seus dias ensinando o dharma, viajando por toda a parte nordeste do subcontinente indiano. Ele sempre enfatizou que não era um deus e que a capacidade de se tornar um buddha pertencia ao ser humano. Morreu aos oitenta anos de idade, em 483 a.C., em Kushinagar, na Índia.

Os estudiosos têm diversas hipóteses em relação às afirmações sobre a história e os fatos da vida do Buddha histórico. A maioria aceita que ele viveu, ensinou e fundou uma ordem monástica, mas não aceita de forma consistente os detalhes de sua biografia. Segundo o escritor Michael Carrithers, em seu livro O Buda, o esboço de uma vida tem que ser verdadeiro: o nascimento, a maturidade, a renúncia, a busca, o despertar e a libertação, o ensino e a morte.

Ao escrever uma biografia sobre Buddha, Karen Armstrong disse: “obviamente difícil, portanto, escrever uma biografia de Buddha, atendendo aos critérios modernos, porque temos muita pouca informação que pode ser considerada ‘histórica’ ..., mas podemos estar razoavelmente confiantes, pois Siddhartta Gautama realmente existiu e os seus discípulos preservaram a sua memória, sua vida e seus ensinamentos.”




[i] Sadhu, no hinduísmo, é um termo comum para designar um místico, um asceta, um praticante de ioga ou um monge andarilho. “Sadhu” é, também, uma expressão em sânscrito e páli usada como interjeição para algo bem-sucedido ou realizado com perfeição. Etimologia: A tradução para sädhu é “bom homem” e, para sädhvi, é “boa mulher”. Se refere a quem tem a escolha de viver a vida em sociedades com o foco na prática espiritual. A origem da palavra vem de sädh, que significa “alcançar objetivos”. A mesma origem é usada na palavra sädhana, que significa “prática espiritual”. Rituais: Sadhus são sanyasi, ou renunciantes, que deixam todos os seus bens materiais e que moram nas cavernas, florestas e templos da Índia e do Nepal. O sadhu é referido como Baba pelas pessoas comuns. A palavra baba também significa pai, avô, ou tio em muitas línguas indianas.

 [ii] A ascese (do grego ἄσκησις, áskesis, “exercício espiritual”, derivado de ἀσκέω, “exercitar”) consiste em uma prática que visa ao desenvolvimento espiritual. Muitas vezes, essa prática consiste na renúncia ao prazer e na não satisfação de algumas necessidades primárias. O conceito abrange um grande espectro de práticas, em culturas e etnias muito diferentes, que vão dos ritos iniciáticos (maus-tratos, incisões e escoriações no corpo, repreensões de extrema severidade, a mutilação genital ou a participação em provas que exigem atos excessivos de coragem) aos hábitos monásticos de diversas religiões, incluindo o celibato, o jejum e a mortificação do corpo por diversos meios. Ascese e fenômeno místicos: Segundo as interpretações mais correntes, alguns dos fenômenos religiosos e místicos envolvendo visões ou estados de êxtase resultam do enfraquecimento do corpo e da alteração do equilíbrio sensorial. Segundo o idealismo platônico, a ascese servirá, exatamente, para aproximar a pessoa (o asceta) da verdadeira realidade espiritual e ideal, ao desligar-se da imperfeição e materialidade do corpo. 

[iii] Anapanasati (Ānāpānasati): āna = inalação, inspiração (na respiração), apāna = expiração (na respiração), também prana descendente; sati (páli, budismo) = atenção plena, alerta. Anapanasati é a atenção ou consciência plena da inspiração e da expiração, atribuída a Buddha, que pode ter a redescoberto, desenvolvido, utilizado e ensinado como método de autoconhecimento. A essência de anapanasati é, em estado relaxado para meditação, simplesmente colocar a consciência na inspiração e expiração e no ar que se respira, sendo consciente do alento que entra e sai. Essa consciência pode se dar tanto a partir do seu próprio centro, ser, como do coração ou da mente. Anapanasati é uma das formas-mães, raízes ou primordiais de meditação, da qual descendem muitas outras. Uma forma sua aparece também no Bhagavad Gita e em meditações como Mantra Hamsa ou a Hong-So do Kriya Yoga, aonde encontram-se exemplos de sua prática. Esta técnica também pode ser importante em outras meditações como Atma-Vichara. (Site Chela. Disponível em: https://chela.com.br/meditacao/anapanasati/. Acesso em 14 abr. 2026).







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