CARACTERÍSTICAS DOUTRINAIS
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REVELAÇÃO DIVINA, TRADIÇÃO E
DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA
Apesar da Doutrina Católica ter sido plenamente revelado por
Jesus Cristo, a definição e compreensão desta mesma doutrina é progressiva,
necessitando por isso do constante estudo e reflexão da Teologia, mas sempre
fiel à Revelação e orientada pelo Magistério da Igreja Católica. A esta
definição progressiva da doutrina dá-se o nome de desenvolvimento da doutrina.
Esta Revelação imutável e definitiva é transmitida pela Igreja sob a forma de
tradição escrita (Bíblia) e oral. A Doutrina Católica está resumida no Credo
dos Apóstolos, no Credo Niceno-Constantinopolitano e em variadíssimos
documentos da igreja, como por exemplo no Catecismo da Igreja Católica (CIC) e
no seu Compêndio (CCIC).
DOGMAS E SANTÍSSIMA TRINDADE
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Logo, muitas vezes, certas atividades e atributos divinos
são mais reconhecidas (mas não exclusivamente realizadas) em uma pessoa do que
em outra. Como por exemplo, a criação divina do mundo está associado a Deus
Pai; a salvação do mundo a Jesus, o Filho de Deus, ou seja, o Deus Filho; e a proteção,
guia, purificação e santificação da igreja ao Espírito Santo.
JESUS, A SALVAÇÃO E O REINO
DE DEUS
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ECLESIOLOGIA
·
UNA – porque nela subsiste a única
instituição verdadeiramente fundada e encabeçada por Jesus Cristo para reunir o
povo de Deus, porque ela tem como alma o Espírito Santo, que une todos os fiéis
na comunhão em Cristo e porque ela tem uma só fé, uma só vida sacramental, uma única
sucessão apostólica, uma comum esperança e a mesma caridade;
·
SANTA – por causa da sua ligação única com
Deus, o seu Autor. Por que “o Espírito Santo vivificou-a com caridade” e porque
ela é a “Esposa de Cristo”, também porque ela, através dos sacramentos, tem por
objetivo santificar, purificar e transformar os fiéis, reunindo-os todos para o
seu caminho de santificação, cujo objetivo final é a salvação, que consiste na
vida eterna, na realização final do Reino de Deus e na obtenção da santidade.
·
CATÓLICA – porque a igreja é universal e está
espalhada por toda a Terra, é portadora da integralidade e totalidade do
depósito da fé “leva e administra a plenitude dos meios necessários para a
salvação” (incluindo os sete sacramentos) dados por Jesus à sua igreja, “é
enviada em missão a todos os povos, em
todos os tempos e qualquer que seja a cultura a que eles pertençam”; e nela
está presente Cristo;
·
APOSTÓLICA – porque ela é fundamentada na
doutrina dos apóstolos cuja missão recebeu se ruptura. Segundo a Doutrina
Católica todos os Bispos da igreja são sucessores dos apóstolos e o Papa, Chefe
da Igreja, sendo este o sucessor de São Pedro (Príncipe dos Apóstolos), que é a
pedra na qual Cristo edificou sua igreja.
Além disso, a igreja, entre os seus inúmeros nomes também é
conhecida por:
·
CORPO DE CRISTO - porque os católicos acreditam que a igreja
não é apenas uma simples instituição, mas um corpo místico constituído por
Jesus, que é a cabeça, e pelos fiéis que são membros deste corpo único, inquebrantável
e divino. Esta denominação é assente também na fé de que os fiéis são unidos
intimamente a Cristo, por meio do Espírito Santo, sobretudo no sacramento da
Eucaristia. A Igreja Católica acredita que os cristãos não católicos também
pertencem, apesar de um modo imperfeito, ao Corpo Místico, visto que
tornaram-se uma parte inseparável d’Ele através do Batismo, constituindo assim
numas das bases do ecumenismo atual. Ela defende também que muitos elementos de
santificação e de verdade estão também presentes nas igrejas e comunidades
cristãs que não estão em plena comunhão com o Papa;
·
ESPOSA DE CRISTO – porque o próprio Cristo
“Se definiu como o Esposo” (Mc 2, 19) que amou a igreja, unindo-a a Si por uma
aliança eterna. Ele entregou-se a Si mesmo por ela, para a purificar com o seu
sangue “para a tornar santa” (Ef 5, 26) e fazer dela mãe fecunda de todos os
filhos de Deus;
·
TEMPLO DO ESPÍRITO SANTO – porque o Espírito
Santo reside na Igreja no Corpo Místico de Cristo, e estabelece entre os fiéis
e Jesus Cristo uma comunhão íntima tornando-os unidos num só corpo. Para além
disso, ele guia, toma conta e “edifica a igreja na caridade com a Palavra de
Deus, os sacramentos, as virtudes e os carismas”.
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Em relação às igrejas protestantes, as diferenças mais significativas dizem respeito à doutrina da Eucaristia, dos outros sacramentos (a maioria dos protestantes professam o Batismo e a Eucaristia) à existência do purgatório, à composição do Cânone das Escrituras e ao culto de veneração à Virgem Maria e aos santos. Há também diferenças importantes na doutrina do pecado original e da graça, na necessidade e natureza da penitência e no modo de obter a redenção, com os protestantes a defender que a salvação só se atinge unicamente através da fé (sola fide), em detrimento da crença católica que a fé deve ser expressa também através das boas obras. Esta divergência levou a um conflito sobre a doutrina da justificação, mas o diálogo ecumênico moderno levou a alguns consensos entre os católicos e os luteranos, através da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, bem como com os anglicanos e outros.
Existem várias representações dos Dez Mandamentos, que é a
base e o mínimo fundamental da Lei Moral (ou Lei de Deus), devido à diversidade
de traduções existentes. A mais utilizada é aquela ensinada atualmente na
catequese de língua portuguesa da Igreja Católica:
1) Amar
a Deus sobre todas as coisas;
2) Não
invocar o Santo Nome de Deus em vão;
3) Guardar
domingos e festas de guarda;
4) Honrar
pai e mãe;
5) Não
matar;
6) Guardar
castidade nas palavras e obras;
7) Não
roubar;
8) Não
levantar falso testemunhos;
9) Guardar
castidade nos pensamentos e nos desejos;
Segundo a Doutrina Católica sobre os Dez Mandamentos eles
são de observância e cumprimentos obrigatórios porque “enuncia deveres
fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo” e dão a conhecer
também a vontade divina sobre a conduta moral dos homens.
SACRAMENTOS
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1) BATISMO
é dado às crianças e a convertidos adultos que não tenham sido antes batizados
validamente (o batismo da maior parte das igrejas cristãs é considerado válido
pela Igreja Católica, contanto que seja feito pela fórmula: “em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo”. A rigor, todo cristão pode, nessa fórmula, batizar
validamente alguém, nomeadamente em situações urgentes. Entretanto, o batismo
será ilícito, devendo o batizado ser levado na presença de um sacerdote, para
que complete os rituais do sacramento, como a unção com o Crisma e com o óleo
dos catecúmenos).
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Considerando-se a prática comum dos batismos de bebes, a Confirmação passa a marcar a maturidade da fé e a personificação do compromisso batismal. Por esta razão, é necessário que seja precedida de cuidadosa catequese. Somente assim, o sacramento da Crisma será uma experiência especial e marcante na vida dos jovens, suscitando a continuidade da sua participação consciente e ativa nas celebrações e na vida da igreja. Nas Igrejas Católicas Orientais o sacramento do Crisma é geralmente executado por um padre imediatamente depois do batismo.
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7) A
UNÇÃO DOS ENFERMOS – era conhecida como “extrema-unção” ou “último sacramento”.
Envolve a unção de um doente com um óleo sagrado dos enfermos, abençoado
especificamente para este fim. Já não está limitada aos doentes graves e aos
moribundos, mas a igreja recomenda esse sacramento e o viático (comunhão
eucarística) para a hora da morte.
Os cinco mandamentos ou preceitos da Igreja Católica, na sua
forma atual, foram estabelecidos pelo Papa João Paulo II e promulgados em 2005
pelo Papa Bento XVI, onde suprimiu-se o termo “dízimos” do quinto mandamento
(pagar dízimos conforme o costume), cujo sentido real era, obviamente, uma contribuição
segundo as possibilidades de cada uma, e não uma taxação ou imposto sobre os
rendimentos.
1) Participar
na Missa, aos domingos e festas de guarda e abster-se de trabalhos e atividades
que impeçam a santificação desses dias. (Os dias santos de guarda ou preceito
que podem não se no domingo são: a) 1 de janeiro – Solenidade de Santa Maria,
Mãe de Deus; b) 6 de janeiro – Epifania do Senhor; c) 19 de março – Solenidade
de São José; d) Ascensão de Jesus – data variável – quinta feira da sexta
semana da Páscoa; e) Corpus Christi – data variável – 1.ª quinta feira após o
domingo da Santíssima Trindade; f) 29 de junho – Solenidade dos Apóstolos São
Pedro e São Paulo; g) 15 de agosto – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao
Céu; h) 1 de novembro – Dia de Todos os Santos; i) 8 de dezembro – Solenidade
da Imaculadas Conceição da Virgem Maria; j) 25 de dezembro – Natal.
3) Comungar
o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa.
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Estruturalmente, a Igreja Católica Romana constitui uma das
religiões mais centralizadas do mundo. O seu chefe, o Papa, governa-a a partir
da Cidade do Vaticano, um Estado independente no centro de Roma, também
conhecido na diplomacia internacional como Santa Sé. O Papa é selecionado por
um grupo de elite de Cardeais, conhecidos como Príncipes da Igreja. Só o Papa
pode selecionar e nomear todos os clérigos da igreja acima do nível de padre.
Todos os membros da hierarquia respondem perante o Papa e a sua corte papal. Os
papas exercem o que é chamado Infalibilidade Papal, isto é, o direito de
definir declarações definitivas de ensinamento católico romano em matérias de
fé e moral. Na realidade, desde a sua declaração no Concílio Vaticano I, em
1870, a Infalibilidade Papal só foi usada uma vez, pelo Papa Pio XII, na década
de 1950.
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·
CAMALENGO – em caso de morte ou renúncia do
cargo, essa pessoa é quem detém todos os poderes de um papa até a eleição de
outro pelo Colégios de Cardeais.
·
CARDEAIS – são os conselheiros e os
colaboradores mais íntimos do Papa, sendo todos eles bispos. Sendo o próprio
Papa eleito de forma vitalícia (a abdicação é rara e já não acontecia desde a
Idade Média) pelo Colégio dos Cardeais. A cada cardeal é atribuída uma igreja
ou capela (daí a classificação em cardeal-bispo, cardeal-presbítero e
cardeal-diácono) em Roma para fazer dele membro do clero da cidade. Muitos dos
cardeais servem na Cúria, que assiste o Papa na administração da igreja. Todos
os cardeais que não são residentes em Roma são bispos diocesanos.
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As funções citadas tomadas em conjunto não fazem parte do
clero, pois são conferidas aos leigos, uma vez que, para entrar para o
sacerdócio, é preciso ao católico receber o Sacramento da Ordem. Desde o
Concílio Vaticano II, os leigos tornaram-se cada vez mais importantes no seio
da vida eclesial e gozam de igualdade em relação ao clero, em termos de
dignidade, mas não de funções.
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DOUTRINAS DISTINTIVAS
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Com estes estudos teológicos a igreja vai-se gradualmente
instituindo os seus dogmas, que é a base da doutrina oficial, sendo o último
dogma, o da Assunção da Virgem Maria, proclamado solenemente apenas em 1950.
Para os católicos, um dos dogmas mais importantes e o da Santíssima Trindade, que, não violando o monoteísmo professa que Deus é uno e trino.
Para os católicos, um dos dogmas mais importantes e o da Santíssima Trindade, que, não violando o monoteísmo professa que Deus é uno e trino.
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O ato de prece mais importante na Igreja Católica Romana é a
Liturgia Eucarística, normalmente chamada de Missa. A missa é celebrada todos
os domingos de manhã na maioria das paróquias Católicas Romanas, no entanto, os
católicos podem cumprir as suas obrigações dominicais se forem à missa no
sábado à noite. Os católicos devem também rezar missa cerca dez dias adicionais
por ano, chamados Dias Santos de Obrigação. Missas adicionais podem ser
celebradas em qualquer dia do ano litúrgico, exceto na Sexta-feira Santa.
Muitas igrejas têm missas diárias. A missa contemporânea é composta por duas
partes principais: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística. Durante a
Liturgia da Palavra, são lidas em voz alta uma ou mais passagens da Bíblia, ato
desempenhado por um Leitor (um leigo da igreja) ou pelo padre ou diácono. O
padre ou diácono lê sempre as leituras do Evangelho e pode também ler de outras
partes da Bíblia (durante a primeira, segunda, terceira, etc. leituras). Depois
de concluídas as leituras, é rezada a homilia (que se assemelha ao sermão
protestante) por um padre ou diácono.
Nas missas rezadas aos domingos e dias de
festa, é professado por todos os católicos presentes o Credo
Niceno-Constantinopolitano, que afirma as crenças ortodoxas do catolicismo.
Segue então a Liturgia Eucarística, que nada mais é do que a Missa em seu
sentido estrito. Nela, o pão e o vinho oferecidos, segundo o dogma católico da
transubstanciação, se tornam realmente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo.
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O movimento de reforma litúrgica, iniciado no início da
década de 1960 pelo Concílio Vaticano II, tem sido responsável nos últimos
quarenta anos por uma convergência significativa das práticas predicamentais do
Rito Romano com as das igrejas protestantes, afastando-as das dos outros ritos
católicos, particularmente os ritos orientais. Uma característica dos novos
pontos de vista litúrgicos tem sido um “regresso às fontes”, que se diz que tem
origem na redescoberta de antigos textos e práticas litúrgicas, bem como muitas
práticas novas. As reformas litúrgicas pós-conciliares (pós Concílio Vaticano
II) incluem o uso da língua vernacular (local), uma maior ênfase na Liturgia da
Palavra, e a clarificação do simbolismo. A característica mais visível das
reformas é a postura do padre. No passado, o padre virava-se para o altar, de
constas para a congregação. As reformas fizeram com que o padre se voltasse
para o povo, separado dele pelo altar. Isto simboliza o desejo de que a missa
se torne mais centrada nas pessoas. Há, todavia, críticos que não concordam com
a natureza da missa pós Vaticano II (conhecida por vezes como Novus Ordo
Missae). Em 2003, foi revelado que a Missa Tridentina pré-Vaticano II estava de
novo, a ser celebrada na Basílica de São Pedro (embora não no altar principal)
e que o Papa João Paulo II começou a celebrar missas tridentinas na sua capela
privada no Palácio Apostólico, no Vaticano. A partir de 7 de julho de 2007,
pelo Motu proprio Summorum Pontificum, o Papa Bento XVI reafirmou a validade da
Missa Tridentina (pré-Concílio Vaticano II e rezada em latim) e a liberação de
celebrá-la a pedido dos fiéis sem prévia autorização episcopal. Assim sendo,
existem atualmente duas formas de celebração do Rito Romano: a forma ordinária
(o Novus Ordo) e a forma extraordinária (a Missa Tridentina).
A Igreja Católica está presente em virtualmente todas as
nações do planeta. Está organizada em hierarquias nacionais com bispos
diocesanos sujeitos a arcebispos, Colégios, ou Conferências Nacionais de bispos
que coordenam a política local dentro dos países ou de grupos de países.
A unidade geográfica e organizacional fundamental da Igreja
Católica é a diocese (nas Igrejas Católicas do Oriente, a unidade equivalente
chama-se eparquia). Esta corresponde geralmente a uma área geográfica definida,
centrada numa cidade principal, e é chefiada por um bispo. A igreja central de
uma diocese recebe o nome de Catedral, da cátedra, ou cadeira, do bispo, que é
um dos símbolos principais do seu cargo. Dentro da diocese, o bispo exerce
aquilo que é conhecido como um ordinário, ou seja, a autoridade administrativa
principal. As sedes de algumas ordens religiosas são semi-independentes das
dioceses a que pertencem; o superior religioso da ordem exerce jurisdição
ordinária sobre elas. Embora o Papa nomeie bispos e avalie o seu desempenho, e
exista uma série de outras instituições que governam ou supervisionam certas
atividades, um bispo tem bastante independência na administração de uma
diocese. Algumas dioceses, geralmente centradas em cidades grandes e
importantes, são chamadas de arquidioceses e são chefiadas por um arcebispo. Em
grandes dioceses e arquidioceses, o bispo é frequentemente assistido por bispos
auxiliares, bispos integrais e membros do Colégio dos Bispos que não chefiam a
sua própria diocese. Arcebispos, bispos sufragiários (designação frequentemente
abreviada simplesmente para “bispos”), e bispos auxiliares, são igualmente
bispos; os títulos diferentes indicam apenas que tipo de unidade eclesiástica
chefiam. Muitos países tem vicariatos que apoiam as suas forças armadas (Ordinariato
Militar).
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O Colégio dos Cardeais é o conjunto dos bispos católicos
romanos que são conselheiros especiais do Papa. Qualquer padre pode ser nomeado
cardeal, desde que se “distinga em fé, moral e piedade”. Se um cardeal que
ainda não tiver sido nomeado bispo for eleito Papa, deverá receber a ordenação
episcopal mais tarde. Todos os cardeais com menos de 80 anos têm o direito de
eleger um novo Papa depois da morte do seu predecessor. Os cardeais eleitores
são quase sempre membros do clero, mas no entanto, o Papa concedeu no passado a
membros destacados do laicado católico (por exemplo, a teólogos) lugares de
membro do colégio, após ultrapassarem a idade eleitoral. A cada cardeal é
atribuída uma igreja ou capela (e daí vem a classificação em bispo cardeal,
padre cardeal e diácono cardeal) em Roma para fazer dele membro do clero da cidade.
Muitos dos cardeais servem na cúria, que assiste o Papa na administração da
igreja. Todos os cardeais que não são residentes em Roma são bispos diocesanos.
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A Igreja Católica Romana sustenta muita ordens (grupos) de
monges e freiras que são principalmente não-padres que vivem vidas
especialmente devotadas a servir Deus. São pessoas que se juntaram sob um
determinado sistema a fim de atingir a perfeição e a virtude. Estes sistemas
por vezes implicam a separação do mundo para meditar, outras a participação
excepcional no mundo, frequentemente através de prestação de serviços médicos
ou educacionais. Quase todos os monges e freiras tomam votos de pobreza
(nenhuma ou limitada posse de propriedade ou dinheiro), castidade (nenhuma
utilização dos órgãos sexuais) e obediência (aos superiores).
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As igrejas cristãs que se separaram com as demais por causa
de divergências cristológicas aceitam somente os concílios ecumênicos que se
realizaram antes da sua separação. Assim, a Igreja Assíria do Oriente aceita os
dois primeiros e as Igrejas Ortodoxas Orientais os três primeiros. Até o século
IX, sete concílios ecumênicos reconhecidos tanto pela Igreja Católica como pela
Igreja Ortodoxa foram realizados, antes da sua separação (século XI). Desde
então, a Igreja Ortodoxa não tem reconhecido como ecumênico mais nenhum
concílio, pois não há mais a “ecumene” ou seja, o imperador. De qualquer forma,
a Igreja Ortodoxa continua realizando concílios com a mesma autoridade dos
ecumênicos, chamados Concílios Pan-Ortodoxos. A Igreja Católica continuou a
convocar e realizar concílios ecumênicos em comunhão plena com o Papa, que
passou a ser a “ecumene”. Anglicanos, luteranos e algumas outras denominações
protestantes reconhecem os quatro primeiros concílios ecumênicos e, em alguns
casos, os primeiros sete.
CONCÍLIOS PRÉ-NICENOS
Os concílios ou sínodos pré-Nicenos foram, na sua maior parte, reuniões de natureza regional, nunca chegando a reunir todos os bispos da igreja. Apesar disso, estes concílios eram muito importantes para clarificar vários aspectos doutrinais ou disciplinares nos primórdios do cristianismo e as suas decisões, em geral, são seguidas por muitos cristãos e bispos que não participaram nestes encontros. O exemplo mais paradigmático destes concílios é o Concílio de Jerusalém (49 d.C.), que libertou a igreja cristã nascente das regras antigas da sinagoga e, por isso, marcou definitivamente o desligamento do cristianismo do judaísmo e confirmou para sempre o ingresso dos gentios (não-judeus) na cristandade. O primeiro Concílio com o objetivo de reunir todos os bispos da Igreja, e portanto ecumênico, realizou-se somente em 325 e chama-se Primeiro Concílio de Niceia.
N.º
|
Papas
Durante o Concílio
|
Local
e designação
|
Duração
do
Concílio |
Temas
principais
|
1
|
São Pedro
|
Jerusalém
|
51
|
Os convertidos do paganismo (novos cristãos) isentos de
algumas práticas da lei mosaica, como a circuncisão.
|
2
|
São Vítor I
|
Concílio (Sínodo) de Roma
|
197
|
Examina a questão da data da Páscoa, celebrada
diferentemente no Oriente e no Ocidente.
|
3
|
Santo Estevão I
|
Concílio (Sínodo) de Cartago
|
256
|
Cipriano, bispo de Cartago, reúne 87 bispos africanos.
Discutem o Cisma novaciano.
|
4
|
Sede Vacante
|
Concílio (Sínodo) de Elvira
|
306
|
Reúne 19 bispos e 24 presbíteros da península Ibérica.
Decretam o celibato do clero.
|
5
|
São Silvestre I
|
Concílio (Sínodo) da Gália
|
314
|
Constantino convoca em Arles, 33 bispos africanos, na
tentativa de evitar o Cisma donatista.
|
CONCÍLIOS DA IGREJA CATÓLICA
Segundo os cânones 337 e 341 do Código de Direito Canônico, um concílio ecumênico (ecumênico de universal, ou seja, de toda a Igreja Católica) é uma reunião de todos os bispos da igreja para refletir sobre pontos da doutrina e de disciplina que precisam de ser esclarecidos, promulgar dogmas, corrigir erros pastorais, condenar heresias e, em suma, dirimir sobre todas as questões de interesse para a igreja universal. É convocado e presidido pelo Papa ou por algum bispo, isso porque não é necessário o Papa estar presente para a realização de um concílio, mas para ele ser válido precisa de sua confirmação.
São 21 os concílios ecumênicos com a participação de todos
os bispos católicos do mundo.
Segundo a Doutrina da Igreja Católica, além do Papa o episcopado católico pleno é também infalível (em matérias de fé e moral) só quando reunido num concílio ecumênico, quando estes desejam propor como definitiva e obrigatória uma determinada doutrina, em comunhão (união) bispos e o Papa que é a cabeça do episcopado. Mas fora desta comunhão com o Papa e da sua autoridade suprema, o concílio tem apenas poder sinodal. Sendo que um Sínodo Católico é uma reunião que pode ser realizada em nível de diocese ou mais amplo. No primeiro caso, o sínodo diocesano é convocado pelo bispo, a autoridade máxima da diocese, dele, participam sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos que dão a sua contribuição e opinião visando o bem da comunidade diocesana. Devemos notar a diferença do poder de um concílio com o de um sínodo, mesmo que ele seja chamado pelo Papa.
N.º
|
Papas
Durante o Concílio
|
Local
e designação
|
Duração
do
Concílio |
Temas
principais
|
1.º
|
São Silvestre I
|
Niceia I
|
20 de Maio a 25 de Julho de 325
|
Primeiro a reunir a Cristandade. Condena o Arianismo como
heresia e exila Ário. Reconhece como dogma a igualdade de natureza entre
o Pai e o Filho. Compõe o Credo Niceno.
|
2.º
|
São Dâmaso I
|
Constantinopla I
|
Maio a Julho de 381
|
Reconhece como dogma a natureza divina do Espírito Santo no Credo
niceno-constantinopolitano, que se recita na missa. Estabelece que
o bispo de Constantinopla receberá as honras logo após o de Roma.
|
3.º
|
São Celestino I
|
Éfeso
|
22 de Junho a 17 de Julho de 431
|
Reconhece como dogma a unidade de pessoa do Verbo Eterno com o
corpo e a alma encarnados de Cristo. Condena o Nestorianismo como heresia e
proclama a maternidade divina da Virgem Maria.
A Igreja Assíria do Oriente não reconhece este concílio e nenhum dos posteriores. |
4.º
|
São Leão I, Magno
|
Calcedónia
|
8 de Outubro a 1 de Novembro de 451
|
Condenação do monofisismo. Reconhece como dogma a unidade
das duas naturezas, completas e perfeitas em Jesus Cristo, humana e
divina. É escrita a carta dogmática "Tomo a Flaviano" pelo Papa
Leão I.
As Igrejas ortodoxas orientais não reconhecem este concílio e nenhum dos posteriores. |
5.º
|
Papa Vigílio
|
Constantinopla II
|
5 de Maio a 2 de Junho de 553
|
Condena os ensinamentos de Orígenes e outros.
Condena os documentos semi nestorianos designados Os Três
Capítulos.
|
6.º
|
Santo Agatão
|
Constantinopla III
|
7 de Novembro de 680 a 16 de Setembro de 681
|
Reconhece como dogma que em Cristo há duas vontades, uma
divina e outra humana. Condena o monotelismo.
|
7.º
|
Papa Adriano I
|
Niceia II
|
24 de Setembro a 23 de Outubro de 787
|
Reconhece a licitude da veneração de imagens (ícones).
Condena os iconoclastas.
|
8.º
|
Papa Adriano II
|
Constantinopla IV
|
5 de Outubro de 869 a 28 de Fevereiro de 870
|
Condenação e deposição de Fócio, patriarca de Constantinopla.
Encerra temporariamente o primeiro Cisma Ocidental.
|
9.º
|
Papa Calisto II
|
Latrão I
|
18 de Março a 6 de Abril de 1123
|
Encerra a Questão das investiduras. Independência
da Igreja perante o poder temporal.
|
10.º
|
Papa Inocêncio II
|
Latrão II
|
Abril de 1139
|
Torna obrigatório o celibato para o clero na Igreja Ocidental.
Fim do cisma do Antipapa Anacleto II
|
11.º
|
Papa Alexandre III
|
Latrão III
|
Março de 1179
|
Normas para a eleição do Papa (maioria de 2/3) e da
nomeação de bispos (idade mínima de 30 anos). Excomungam-se os barões que, na
França, apoiavam os Cátaros.
|
12.º
|
Papa Inocêncio III
|
Latrão IV
|
11 de Novembro a 30 de Novembro de 1215
|
Determina que todo o cristão, chegado ao uso da razão, é
obrigado a receber a Confissão e a Eucaristia na Páscoa.
Condenação dos Albigenses, Maniqueístas e Valdenses. Definição
de transubstanciação.
|
13.º
|
Papa Inocêncio IV
|
Lião I
|
28 de Junho a 17 de Julho de 1245
|
Deposição do imperador Frederico II.
|
14.º
|
Beato Gregório X
|
Lião II
|
7 de Maio a 17 de Julho de 1274
|
Tentativa de reconciliação com a Igreja Ortodoxa.
Regulamentação do conclave para a eleição papal. Cruzada para
libertar Jerusalém. Institui o conceito de Purgatório.
|
15.º
|
Papa Clemente V
|
Vienne
|
16 de Outubro de 1311 a 6 de Maio de 1312
|
Supressão dos Templários. Discute-se a questão dos bordéis de Roma e
a nomeação de um arcebispo em Pequim, na China.
|
16.º
|
Papa Gregório XII e Papa Martinho V
|
Constança
|
5 de Outubro de 1414 a 22 de Abril de 1418
|
Extingue o Grande Cisma do Ocidente. Condenação de John
Wycliffe e de Jan Hus. Eleição do Papa Martinho V.
|
17.º
|
Papa Eugênio IV
|
Basileia-Ferrara-Florença
|
1431-1432
|
Sanciona o cânon católico (relação oficial dos livros da
Bíblia), tenta nova união com as Igrejas orientais ortodoxas.
Reconhecimento no romano pontífice de poderes sobre a Igreja
Universal. Ratifica a figura do Purgatório.
|
18.º
|
Papa Júlio II e Papa Leão X
|
Latrão V
|
10 de Maio de 1512 a 16 de Março de 1517
|
Condenação do concílio cismático de Pisa (1409-1411)
e do conciliarismo. Reforma da Igreja.
|
19.º
|
Papa Paulo III, Papa Júlio III, Papa Marcelo II, Papa
Paulo IV e Papa Pio IV
|
Trento
|
13 de Dezembro de 1545 a 4 de Dezembro de 1563
|
Reforma geral da Igreja, sobretudo por causa do
protestantismo. Confirmação dogmática dos sete sacramentos,
principalmente dos dogmas eucarísticos. Decreta a versão da Vulgata como
autêntica.
|
20.º
|
Beato Pio IX
|
Vaticano I
|
8 de Dezembro de 1869 a 18 de Julho de 1870
|
Reforça a ortodoxia estabelecida no Concílio de Trento.
Condena o Racionalismo, o Naturalismo e o Modernismo.
Reconhece como dogmas o Primado do Papa e a infalibilidade
papal na definição expressa de doutrinas de fé e de costumes.
|
21.º
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São João XXIII e Beato Paulo VI
|
Vaticano II
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11 de Outubro de 1962 a 8 de Dezembro de 1965
|
Abertura ao mundo moderno. Reforma da Liturgia.
Constituição e pastoral da Igreja, Revelação divina, liberdade
religiosa, novo ecumenismo (visto que o modo tradicional de ecumenismo é bem
diferente, como mostra a Encíclica Mortalium Animos, de Pio XI), apostolado dos leigos.
Este Concílio gera muitas polêmicas, inclusive por não ser um Concílio
dogmático. Os tradicionalistas dizem que o Concílio Vaticano II
rompe de modo herético com a tradição bimilenar da Igreja: a Missa
Tridentina e o Canto Gregoriano perdem importância; o modo
como todos os sete sacramentos são celebrados sofreu também
mudanças.
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