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FILOSOFIA
DO HINDUÍSMO
As
seis escolas filosóficas ortodoxas hindus, que aceitam a autoridade dos Vedas
são 1) Nyaya, 2) Vaisheshika, 3) Sankhya, 4) Purva Mimamsa, 5) Yoga e 6) Uttara Mimamsa (também denominada
Vedanta). As escolas não-védicas são denominadas Nastika, ou heterodoxas, e
referem-se ao budismo, jainismo e Lokayata. As escolas que continuam a
influenciar o hinduísmo hoje são a Purya Mimamsa, Yoga e a Vedanta.
1)
NYAYA – escola de importância ímpar
no desenvolvimento da filosofia indiana devido ao seu papel na construção de um
sistema lógico e analítico do qual nasceu todo o resto da filosofia lógica
indiana, além de influenciar o desenvolvimento paralelo em diversas outras
áreas do pensamento. O Nyaya foi fundado por Aksapada Gautama, conhecido como
Akpasapada (o de olhos fixos no pé), que escreveu o texto de maior importância
dessa escola, o Nyaya Sutra, por volta do século II a.C. Inicialmente vista com
suspeita pelo clero hindu, passou logo depois a ser promovido por este como
ferramenta de debate contra os heterodoxos – materialistas, budistas e
jainistas. A escola teve seu prestígio incrementado, e o seu sistema passou a
ser visto como um dos meios para se levar à salvação.
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3)
SAMKHYA – esta filosofia é anterior
ao bramanismo, filosofia que deu origem ao hinduísmo, como coloca o indôlogo
Heinrich Zimmer e seu clássico livro Filosofias da Índia. Patandjali, monge do
sul da Índia, onde até hoje a tradição tâmil preserva elementos das filosofias
pré-védicas, tinha formação no sistema Saámkhya-yoga, indissociável. O Sámkhya
foi compilado bem antes de Patandjali (que viveu no século II), por kapila que
viveu pouco tempo antes de Buda. Uma diferença importante entre o Samkhya e o
bramanismo é que o primeiro é dualista e o segundo monista, mas ambos veem o
espírito ou deus como imanente e transcendente ao mesmo tempo. A diferença
significante do Samkhya é que a escola de yoga não somente incorpora o conceito
do Ishvara (ou deus pessoal) numa visão do mundo metafísica mas também sustenta
Ishvara como um ideal sobre o qual meditar. A razão é que Ishvara é o único
aspecto de purusha (do infinito terreno divino) que não foi mesclado com
prakrti (forças criativas temporárias). Também utiliza as terminologias
Brahman/Atman e conceitos profundo dos Upanixades, adotando uma visão vedantica
monista. A realização do objetivo do yoga é conhecido como moksha ou samdhi. E
como nos Upanaxides busca despertar ou a compreensão de Atman como sendo nada
mais que o infinito brâmane, através da (mente) ética, (corpo) físico e
meditação (alma), o único alvo de suas práticas é a “verdade suprema”.
4)
PURVA MIMAMSA – A escola Purva
Mimamsa (ou investigação anterior) estabeleceu as bases para a formulação de
regras de interpretação dos Vedas. O principal questionamento da Purva Mimamsa
se refere à natureza das leis naturais (ou dharma). Segundo esta linha de
pensamento, a natureza do dharma não é acessível à razão ou observação e deve
ser inferida a partir da autoridade da revelação contida nos Vedas. Este método
empírico e eminentemente sensível de aplicação religiosa é a chave para
Sanatana Dharma e foi especialmente desenvolvido por racionalistas como
Sankaracharya e Swami Vivekananda. A Purva Mimamsa, sendo fortemente ligada à
exegese textual dos Vedas, deu origem ao estudo da filologia, ou da filosofia
da linguagem na Índia. A introdução da noção de shabda (discurso) como unidade
indivisível de som e significado é devido ao sábio Bhartrhari (século VII).
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6)
UTTARA MIMAMSA OU VEDANTA – A escola
Uttara Mimamsa (ou investigação posterior), também conhecida como Vedanta é
talvez a pedra angular dos movimentos do hinduísmo, e certamente, foi
responsável por uma nova onda de investigação filosófica e meditativa,
renovação da fé, e reformas culturais. A maior parte da atual filosofia hindu
está relacionada a mudanças que foram
influenciadas pelo pensamento vedanta, o
qual é focalizado na meditação, moralidade e centralização no “Eu” uno, ao
invés de rituais ou distinções sociais como as castas. Primeiramente associada
com os Upanixades e seus comentários por Badarayana e Vedanta Sutra, o
pensamento vedanta dividiu-se em três grupos:
·
PURO MONISMO: ADVAITA VEDÂNTA: Advaita literalmente significa “não dois”,
isto é o que referimos como monteístico, ou sistema não-dualístico, que enfatiza
as unidade. Seu consolidador foi Shankaracharya (788 – 820). Shankara expôs
suas teorias baseadas amplamente nos ensinamentos dos Upanixades e de seu guru
Gaudapada. Através da análise da consciência experimental, ele expôs a natureza
relativa do mundo e estabeleceu a realidade não dual ou Brahman no qual Atman
(a alma individual) ou Brahman (a realidade última) são absolutamente
identificadas. Não é meramente uma filosofia, mas um sistema consciente de
éticas aplicadas e meditação direcionadas a obtenção da paz e compreensão da
verdade.
·
MONISMO QUALIFICADO: VISHISTADVAITA
VEDANTA – Ramanuja (1040 -1137) foi o principal proponente do conceito de
Sriman Narayana como Brahman o supremo. Ele ensinou que a realidade última
possui três aspectos: Ishvara (Vishnu), cit (alma) e acit (matéria). Vishnu é a
única realidade indepente, enquanto alma e matéria são dependente de deus para
sua existência. Devido a esta qualificação da realidade última, o sistema de
Ramanuja é conhecido como não-dualístico.
·
DUALISMO: DVAITA VEDANTA – Madhya
(1199 – 1278) identificou deus como Vishnu, mas a sua visão da realidade era
puramente dualista, pois ele compreendeu um diferenciação fundamental entre o
deus supremo e a alma individual, e o sistema consequentemente foi denominado Dvaita
(dualístico) Vedanta.
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Filósofo Hindu Rabindranath Tagore visita Einstein em 14 de julho de 1930 |
FILOSOFIA
HINDU: AS ESCOLAS NÃO VÉDICAS
As principais escolas não védicas ou
heterodoxas (Nastika) do pensamento hindu são o budismo, o jainismo e Lokayata
ou Carvaka, que veremos no blog do maffei como outras religiões em futuras
postagens.
CULTURAS
ALTERNATIVAS DE ADORAÇÃO
AS
ESCOLAS BHAKTI
A escola devocional Bhakti tem seu
nome derivado do termo hindu que evoca a ideia de “amor prazeroso, abnegado e
estupetante de deus como pai, mãe, filho amados”, ou qualquer outra forma de
relacionamento que encontre apelo no coração devoto. A filosofia de Bhakti
procura usufruto pleno da divindade universal através de forma pessoal, o que
explica a proliferação de tantas divindades na Índia, frequentemente refletindo
as inclinações particulares de pequenas áreas ou grupos de pessoas. Vista como
uma forma de Yoga ou união, ele preconiza a necessidade de se dissolver o ego
em deus, na medida em que a consciência do corpo e a mente limitada, como
individualidade, seriam fatores contrários à realização espiritual.
Essencialmente é deus que promove toda mudança que é a fonte de todos os
trabalhos através do amor e da luz.
Os movimentos Bhakti rejuvenesceram
o hinduísmo ao longo da sua intensa expressão de fé e receptividade às
necessidades emocionais e filosóficas da Índia. Pode-se dizer corretamente que
influenciaram a maior onda de mudança em orações e rituais hindus desde tempos
remotos.
A mais popular forma de expressão de
amor a deus na tradição hindu é através do puja, ou ritual de devoção,
frequentemente utilizando o auxílio de murti (estátua) juntamente com canções
ou recitação de orações meditacionais em forma de mantras. Canções devocionais
denominadas bhajan (escritas primeiramente nos séculos XIV – XVII), kirtan
(elogio), e arti (uma forma filtrada do ritual do fogo védico) são algumas
vezes cantados juntamente com a realização do puja. Este sistema orgânico de
devoção tenta auxiliar o indivíduo a conectar-se com deus através de meios
simbólicos. Entretanto, é dito que bhakta, através de uma crescente conexão com
deus, é eventualmente capaz de evitar todas as formas externas e é inteiramente
imerso na benção do indiferenciado amor à verdade.
TANTRISMO
A palavra tantra significa “tratado”
ou “série continua”, e é aplicada a uma variedade de trabalhos místico ocultos,
médicos e científicos. A maioria dos tantras foram escritos no final da Idade
Média e surgiram da cosmologia hindu.
TEMAS
E SIMBOLISMOS IMPORTANTES NO HINDUÍSMO
AHIMSA – o jainismo, à medida que
era praticado, era certamente uma grande influência sobre a sociedade indiana,
sua exortação ao veganismo e a não violência é simbolizados pelo ahimsa – o termo
apareceu primeiramente nos Upanixades, assim, levou a uma influência
internamente enraizada e externamente motivada desenvolveu-se numa grande
quantidade de hindus que acabaram por abraçar o vegetarianismos numa tentativa
de respeitar as formas superiores de vida, restringindo a sua dieta a plantas e
vegetais. Cerca de 30 % da população hindu atual, especialmente em comunidades
ortodoxas no sul da Índia, em alguns estados do norte como o Guzerate e em vários
enclaves brâmanes à volta do subcontinente, é vegetariana. Portanto, enquanto o
vegetarianismos não é um dogma, é recomendado com sendo um estilo de vida
sátvico (purificador). Os hindus abstêm-se predominantemente de carne, e alguns
até vão tão longe quanto evitar produtos de pele. Isto acontece provavelmente
porque o largamente pastoral povo védico e as subsequentes gerações de hindus
ao longo dos séculos dependiam tanto da vaca para todo o tipo de produtos lácteos,
aragem dos campos e combustível para fertilizante, que o se estatuto de “cuidadora”
espontânea da humanidade cresceu ao ponto de ser identificada como uma figura
quase maternal. Assim, enquanto a maioria dos hindus não adora a vaca, e as instruções
escriturais contra o consumo de carne surgiram muito depois dos Vedas terem
sido escritos, esta ainda ocupa um lugar de honra na sociedade hindu. Diz-se
que Krishna é tanto govinda (pastor de vacas) como gopala (protetor de vacas),
e que o assistente de Shiva é Nandi, o touro. Com a força no vegetarianismo
(que é habitualmente seguido em dias religiosos ou ocasiões especiais até por
hindus comedores de carne) e a natureza sagrada da vaca, sendo que a maior
parte das cidades santas e áreas na Índia tenham uma proibição sobre a venda de
produtos de carne tendo também um movimento entre os hindus para banir a
matança de vacas não só em regiões específicas como em toda a Índia.
FORMAS
DE ADORAÇÃO
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ॐ भूर्भुवस्व: | तत् सवितूर्वरेण्यम् | भर्गो देवस्य धीमहि | धियो यो न: प्रचोदयात्
Aum Bhūrbhuvasvah | tat savitūrvarenyam | bhargo devasya dhīmahi
| dhiyo yo naha pracodayāt
Significa literalmente: Om! Terra, Universo, Galáxias (invocação
aos três mundos). Que nós alcancemos a excelente glória de Savitr o deus. Que ele
estimule os nossos pensamentos/meditações. O mantra Gayatri é considerado o
mais universal, o mais importante (maha mantra) de todos os mantras hindus, e
invoca o Brahman universal como um princípio de conhecimento e iluminação do
sol primordial, mas somente em seu aspecto feminino. Muitos hindus até os dias
de hoje, seguindo uma tradição que permanece viva por pelo menos 5.000 anos,
realizam abluções matinais às margens do rio sagrado (especialmente do rio
Ganges), conhecido como um mantra sagrado, é reverenciado como sendo a forma
mais condensada do “conhecimento divino” (Veda). E governado pelo princípio Ma
(mãe) Gayatri, também conhecido como Veda Mata (mãe dos Vedas) e intimamente
associado á deusa do aprendizados e iluminação, Sarasvathi. O maior objetivo da
religião védica é alcançar moksha ou liberação através da constante dedicação a
Satya (verdade) e uma eventual realização de Atman (alma universal). Não
importa se atingido através de meditação ou puro amor, este objetivo universal
é alcançado por todos. Deve ser observado que o hinduísmo é uma fé prática, e é
incorporado em cada aspecto da vida. Acredita igualmente no temporal e no
infinito, e somente encoraja perspectivas destes princípios. Os grandes rishis
(sábios, considerados espécies de santos hindus) e também denominados como
samsárico (aquele que vive no samsara – plano temporal ou terrestre) aquele que
segue um meio de vida honesto e amável (dhármico) é um jivanmukta (alma vivente
liberta). As verdades fundamentais do hinduísmo são melhores compreendidas na
frase dos Upanixades. Tat Twan Asi (assim és tu), e na última aspiração como
segue:
Aum Asato mas ad gamaya tamaso ma ivotir gamaya mrityor ma
aamritaam gamaya
Aum Conduza-me da ignorância para a verdade, das trevas para a
luz, da morte para a imortalidade
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